Aos loucos, que como eu, encontram motivos pra gostar de poesias!

Esta é minha colcha de retalhos...trechos de vida vividos, outras vezes imaginados, que vão sendo agregados aos poucos. Convido amigos e quem mais quiser, a bordar esses retalhos com suas idéias, pensamentos, poemas, críticas, etc.







Gi Neves



quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cicatriz - poema





CICATRIZ



Passo…

Obedecendo o traço,

Seguindo no compasso,

Considerando o espaço…



E nesse passo

Sei que me refaço da ferida,

Cicatriz da vida tão sofrida,

Feita de subidas e drásticas descidas…



Onde, aturdida,

Revivo momentos, águas passadas.

Hoje distantes e somente marcadas

Por álbuns nas estantes,



Em velhas malas,

Ou fotos espalhadas pelo chão,

Rasgando e sangrando

Este pobre coração…





Gi Neves

Ilusão - poema




ILUSÃO



Olhando através destes vidros,

Parece existir um mundo melhor do lado de fora…



Mas, dentro ou fora, tudo continua igual.

Não há saída para o mundo imaginário.



Posso trancar-me em meu quarto

E esse mundo sonhado se espalhará pelas paredes…



Irá pairar no ar diante dos meus olhos,

Tentando alcançar a forma dos pensamentos.



Então penso… do lado de fora deste quarto

Eu talvez possa encontrar esse mundo ilusório.



Mas dentro ou fora de qualquer espaço o mundo é o mesmo

E completamente oposto ao desejado.





Gi Neves

Redemoinhos - poema




REDEMOINHOS



Gira o mundo e eu aqui, indefesa,

Presa pelas incertezas de um tempo que ficou pra trás.

Gira a terra e os ponteiros do relógio,

Gira o vento em redemoinhos…



Carregando os sonhos de criança,

Os ideais da adolescência,

Os atrasos da ciência,

As antigas crenças e tudo o mais.



E desse vento ingrato resto eu,

Adulta, imatura e despreparada…

Vítima inocente de um tempo que não pára,

Esqueleto vivo de uma jovem sonhadora.





Gi Neves

sexta-feira, 23 de abril de 2010

AI DE MIM!

 
 
Ai de mim,

que morro de vontade de perder a cabeça,

de deixar o sentimento fluir,

e o amor tomar forma, crescer,

mesmo que depois volte a dormir!



Ai de mim,

que sonho com um amanhecer sufocada de beijos

e entre pernas e braços enroscada,

satisfeita de amor e de abraços,

amar de novo e despertar feliz!



Ai de mim,

que não me afasto da realidade

e, embora goste, falta-me a coragem

para lançar-me à esmo a um sentimento assim

sem lembrar que tudo tem Princípio, Meio e Fim!



Gi Neves

quinta-feira, 15 de abril de 2010

ANSIEDADE




ANSIEDADE



O carteiro não chega…

O telefone não toca…

Ninguém bate à porta.



Onde buscá-lo?

Onde andará o vento

Que mandei procurá-lo?



Abraço sua imagem invisível

E sinto na boca o beijo ausente

Que me deita ansiosa e me desperta carente.





Gi Neves

MÁSCARAS




MÁSCARAS



Estarei eu enganada,

ou por detrás do sorriso

está presente uma lágrima

e na alegre gargalhada

esconde-se, envergonhada,

uma boa dose de dor?



Será que os lábios exprimem

Exatamente as palavras

Ditadas pela emoção?

Ou movem-se, simplesmente,

Mascarando as verdades

Que explodem do coração?



Porque há de ser tão difícil

A realidade da expressão?

E nessa inversão de valores

Estamos sempre mentindo,

Eternamente fingindo,

Trocando o “sim” pelo “não”



Gi Neves

RETICÊNCIAS





RETICÊNCIAS



O que faz de mim andarilha errante,

Solitária amante desse amor

Cujo esteio é o sexo?



Que buscar de concreto nesse amor secreto,

Feito de momentos, de sabores sem nexo,

Que partem com o vento?



Porque crer que no incerto encontrarei o certo,

Nos momentos vagos, algo de concreto

E no afã do sexo o amanhecer do amor?



Quem sabe, no labirinto das ilusões,

Seguindo por caminhos tortuosos

Eu encontre a porta de saída da interrogação…



Gi Neves

LENDÁRIA AVALON





LENDÁRIA AVALON

Ah, Avalon!

Num tempo inculto tu estavas envolta
Nas brumas da sabedoria!

Quanto quisera fosse verdadeira
Não só tua terra, mas também tua deusa.

Oh, deusa!

Onde estás que não me coloca aos pés
Um Lancelote belo e apaixonado,

Para que fôssemos juntos
Às fogueiras de Beltane?

Ah, magas!

A força de toda a natureza pulsava na beleza
Dessa terra, que só a ignorância não a via santa.

Não me importaria ser Sacerdotisa…bastava-me ser criada,
Contando me fosse dado o direito de ouvir a harpa de Kevin.

Hei de ser fada um dia!

E deslizar na barca ao lado de Morgana
Vendo-a chamar a bruma no encanto de sua magia.

E não morrer na ignorância deste mundo
Que fenece na estupidez, dia após dia.


Gi Neves

sexta-feira, 9 de abril de 2010

MURMÚRIOS





MURMÚRIOS



Acreditar em amor?...Não posso!

Mas acredito nesses momentos que são só nossos

Onde os únicos ruídos são nossos próprios gemidos

Pairando no ar de um espaço infinito.



Tudo então fica tão bonito!

Esses retalhos de emoções vão se juntando

aos poucos ao quebra-cabeças do tempo,

Até que nossos murmúrios sejam levados pelo vento.



Nisso eu acredito…isso é vida!

Não é esse amor exclusivo, cobrado, despersonalizado,

Mas os vários momentos de amores vividos

Que fazem da vida um amar eterno!



Gi Neves

ESTADO ALFA


ESTADO ALFA



PAZ!

O espírito vagando pelo Universo

Rumo ao nada…

Nenhum sentimento, nenhum sentido.

Livre, leve, solto, imenso, amorfo, infinito!



Senhor absoluto do vazio!

Sem eira, sem beira e sem limites.

Atravessando as barreiras do tempo

Em busca de aventura.



Liberando Id, Ego e Superego,

Em união de Espírito e Perispírito

E tornando-se cada vez mais forte.

Esteio da vida e recreio da morte!



Gi Neves

XX Versus XY (Crônica)



XX versus XY




Somos seres condicionados desde a fecundação, já que comprovadamente existem traumas intra-uterinos. O que equivale dizer que, a partir do momento em que um casal (se for o caso) toma conhecimento da existência de um ser à caminho, inicia-se o processo de condicionamento, aliado à expectativa: menino ou menina?

Se menina, chamar-se-á “fulana”, diz a mãe. Se menino, será “beltrano”, arremeda o pai. E nosso batismo começa a ser programado…pelo menos o nome já está dado. Nossa personalidade passa a ser moldada antes que possamos ser apresentados à nossa essência, que já nasce morta.

Mamãe garante que se for menina “ há de gostar de sapatos tanto quanto ela”, ao que o papai contrapõe-se com “se for um garoto vai torcer pro Bahia e não se fala mais nisso”.

E assim a lista do que deveremos ser ou gostar vai crescendo:

Mamãe: - Vai adorar batons vermelhos!!!!

Papai: - Vai pegar todas as garotas que atravessarem seu caminho, hehehe!!!!!!

Mamãe: - Vai enlouquecer os garotos com sua beleza! Vai ser uma modelo rica e famosa.

Papai: - Além de gostosão, vai ser estudioso e bem sucedido!

E de repente…nascemos! Os conceitos estão estabelecidos e se bobearmos, até o namorado (a) já está escolhido (a):

Mamãe: - Veja, que gracinha, o Joãozinho (o filho da vizinha)gostou de você! Manda um beijinho pra ele, ahahah!

Papai: - Olha que coisa mais gostosinha essa garota (a filha do amigo) , filho! Ela quer ser sua namoradinha. Vai lá e dá um beijinho nela, hehehehe

E por aí vai…

Nós, meninas, crecemos de forma bastante descompromissada, podemos usar e abusar das cores, do rosa ao vermelho, do azul ao chumbo. Usamos vestidos , shorts ou calças compridas, blusinhas ou camisas… Brincamos de casinha, como também de polícia e ladão, ou de carrinhos e posto de gasolina. Ninguém acha que usar azul, vestir calças ou brincar com carrinhos possa afetar nossa feminilidade, que vai acontecendo naturalmente, salvo pequenas observações do tipo: - “Sente-se de pernas fechadas, você é uma mocinha elegante”. Ou “Não corra feito um moleque, tenha modos, você é uma garota linda”! E isso é tudo.

Não quero dizer com isso que meninas não possam ser homosexuais…claro que podem e muitas são, mas a maioria por fatores traumáticos que não estão relacionados com o descompromisso na sua criação. Só uma minoria o é por opção.

Já com os meninos, a coisa é bem diferente. Se demonstram interêsse por bonecas…ai! É um Deus nos acuda! Lá vem o pai feito um maluco explicar que “isso é coisa de menina”. Ele deve brincar com carrinhos, aviões, etc. Brincar de casinha? NUNCA!!!!! Tá maluco, garoto? Quer que eu enfarte??????? (diz o pai, rsrs).Camisas ou camisetas, por favor, de qualquer cor, excetuando-se rosa, lilás, violeta, amarelo-ouro, verde-limão, e por aí afora, a lista do que não pode vai tomando proporções gigantescas, afinal, são inúmeros os riscos que um menino corre até que se possa afirmar, com certeza, que ele é um autêntico XY, ou seja HOMEM, hetero!

E é aí que mora a minha dúvida…

A designação “HOMEM” é sinônimo de “condicionado”?

Condicionado a gostar só de mulher????

Condicionado a querer estar rodeado pelo sexo feminino?

Condicionado a achar outro homem feio?

Condicionado a andar e gesticular sem mexer-se muito, de forma a não dar margens a interpretações errôneas (afeminado)?

Condicionado a não ter atração por moda, tons pastéis, demonstrações de sensibilidade, manifestações de emoção, etc.?

Condicionado a acreditar que deve conquistar todo ser que use saias, saltos e requebre ao andar?

Condiconados a acreditar que seus corpos só podem sentir prazer no contato com uma mulher?

Então pergunto:

- Se ao menor descuido durante o crescimento e desenvolvimento de um menino quanto aos fatores acima expostos, ele poderá apresentar tendências femininas, então “hetero” é puro condicionamento? Invenção de uma sociedade caótica e descriminatória? Se deixarmos sua formação psíquica à mercê da natureza a maioria será inevitavelmente “homo” ou “bi” sexuais?

Fazendo um passeio de leve pela história, veremos que muitos dos antigos haréns eram compostos por jovens dos sexos feminino e masculino, sem que isso trouxesse nenhuma estranheza à baila, para seus respectivos donos.

Também entre alguns povos guerreiros, na antiguidade, ante a iminência de uma batalha, os mesmos copulavam entre si, em alguns templos pagãos, acreditando que isso fortalecia sua masculinidade e garantia maior poder de vitória à luta. Não conheço registros que comprovem que isso refletisse negativamente na sociedade da época quanto à masculinidade dos mesmos.

Mesmo em nossa sociedade tão machista e discriminatória, sabemos que os homens mantidos em presídios perdem essa conotação de heteros, servindo-se sexualmente uns dos outros e principalmente dos novos presos, no tão conhecido “batismo”.

Então, existe o hetero masculino, ou isso é uma invenção?

Ou uma condição?

Ou…?

Alguém responde? Please!!!!!!



Gi Neves

sexta-feira, 2 de abril de 2010

GRIFO (crônica)

Sabe essas criaturas que, por algum defeito no córtex cerebral ou sei lá onde, são completamente “destrambelhadas”, saem esbarrando , tropeçando e derrubando tudo o que vêm pelo caminho? E ainda por cima grudam feito chiclete em você? Tem dias que dá vontade de sair gritando: - Cheeeeeeega! Paaaaaaara! Mas quando eles aquietam e param você fica logo achando que tem alguma coisa estranha com seu dia. De repente, seu dia fica cinza!?


Pois é…assim era o Grifo. Um cachorro enorme, que se achava um micro-toy, e totalmente sem noção! E o que é pior…com complexo de gente! Não suportava cachorros e outros animais não racionais (risos). Sentava-se no sofá feito gente, ou melhor dizendo, traseiro assentado devidamente e a parte superior do corpo recostada no encosto. Pode???

Ah, e curtia muito uma meditação…quietinho, sem dar um pio, só espiando vez ou outra pra se certificar que ainda estávamos “em alfa”(risos).

E também curtia contar uns “causos”, entre mímicas e latidos, como quando se machucava, o que não era raro, por algum motivo ou despalpério de sua parte. Minha mãe adorava dizer que esta era sua última encarnação como cachorro (risos).

Esse era o Grifo! Corria pelo apartamento imaginando-se do tamanho de uma pulga e saía derrubando tudo que via pela frente…uma lástima em forma de cahorro-gente. Muitas vezes a velocidade que pegava era muita para o espaço a ser vencido e o infeliz acabava se batendo em portas e paredes e machucando-se todo. Com Grifo, vivia-se ao vivo e a cores “O Inferno” de Dante!

Dormindo, você sonhava com enormes férias sem Grifo. Acordada, você gastava o dia driblando para que ele não te achasse.

Mas tem cão que é feito irmão. Você pensa que não gosta dele…mas gosta! Você acha que ele não te faz falta…mas faz! Você acredita que vai ficar aliviada longe dele…mas o “diabo” tá colado em sua vida feito tatuagem, da qual você não quer se libertar.

Pois é…eu não sei onde você anda agora, amigo, mas eu tenho que te dizer isto e vai ser agora:

- Grifo, eu te amo! Obrigada pelo tempo que existiu em minha vida.



Gi Neves

AMIGOS (crônica)

Rita Lee diz em sua música que o amor é latifúndio, sexo é invasão. Pois é…assim são, também, alguns amigos. Uns vão se “achegando” de mansinho, fazendo uma perfeita auditoria do outro, deixando-se envolver aos poucos e acabam comprando um espaço em nossas vidas. São os amigos latifúndio.


Já outros, nem pedem licença ou perguntam se você queria, vêm ocupando espaço no seu coração e na sua vida, enchendo tudo de cores e nem são precisos os números legais de anos transcorridos para que a gente lhes dê o direito ao “uso capião”. São os amigos invasão! Eles transcendem alegria com suas presenças e quando, por algum motivo, se ausentam, a falta que fazem…melhor nem comentar!

Mas tem também o amigo ladrão. Isso mesmo! Chega sem querer ficar…mas fica. Sem querer interagir…mas interage. Sem querer conquistar…mas conquista. Rouba seu coração, as horas dos seus dias e, assim como veio, parte sem dizer adeus, sem deixar notícias ou rastro. Esses vão estar guardados em nosso campo das saudades. Acho que vêm só para passar um recado. Cabe a nós pensar que recado seria esse, já que sabemos que ninguém cruza nosso caminho por acaso. Aliás, isso vale para tudo, não só para as pessoas…nada é por acaso! É preciso análise para se chegar à interpretação do fato.

Mas, tenha o nome que tiver, venha de onde vier, amigos são bênçãos…são bálsamos…são músicas para as nossas almas!

Como bem diz nosso amado poetinha , “posso passar sem um amor, mas não posso ficar sem meus amigos”.

Ééééé…amigos são mesmo como o oxigênio. Sem eles eu não inspiro, não expiro, não respiro!



Gi Neves

VEM!

Afasta as barreiras, derruba o muro e se envolve sem medo,

pois a vida é um arquivo de aventuras.



Se enrosca em meu corpo e se dê por inteiro

e se satisfaça de forma total e irrestrita.



E se contarem que o amor muitas vezes machuca,

que a dor que deixa é uma eterna ferida…não acredita!



O tempo é sábio e se encarrega de cicatrizar as feridas,

Renovando as células, multiplicando a vida…vem!



Dançando ao som de novas aventuras, sinta na pele o quanto o amor é belo, sem importar o estado em que o encontre…



E se for líquido, deixe que escorra…se for gasoso, deixe que evapore…

Pois só na entrega o amor solidifica!



Gi Neves

TEIMOSIA

Segue, coração, segue esse luar

que vem banhar-se na noite…



Voa, coração, faze acrobacias

com teus pensamentos…



Teima, coração, em buscar no amor

encontrar magia…



Chora, coração, essa saudade presa

na distânia entre a felicidade…



Morre, coração, mas morre sereno

se em potes de mel descobrires veneno!



Gi Neves

SÓ MAIS UM ENGANO

Foi somente um sonho…

Só mais um engano dentre os desenganos…

mas valeu a pena!



Melhor o pranto pelo amor perdido

que o vazio de não ter tido amor algum

para chorar.



Ao menos terei momentos preciosos para lembrar …

De quando o amor, feito criança, invadiu meu peito

e acreditei que não haveria jeito de me abandonar.



Gi Neves

NAVEGAR É PRECISO?

Que lhe diz o coração, navegante solitário,

Quando o céu se torna chumbo

em noites de tempestades?



E o que lhe sopra o vento, ao roçar-lhe o rosto,

Trazendo notícias de um tempo,

que de distante, acreditava morto?



O que o faz retornar ao mesmo ponto de partida,

À mesma velha paisagem,

ao velho modo de vida?



Será que em tantas idas e vindas consegue,

mais que eu, que fico,

respostas aos enigmas da vida?



Será que navegar é preciso?



Gi Neves

SEM CHANCES

Tem alguém que cantando em meus ouvidos

uma doce melodia de ninar

E mexendo de mansinho em meus cabelos,

Acredita que eu, talvez, volte a amar.



Tem alguém que ousa imaginar

Que brincando de fazer carinho,

Este vago coração volte a sonhar,

Esquecendo-se que é tarde para brincar.



Tem alguém que eu queria que soubesse

Que só ando pelas ruas da ternura.

Não me valho de ditados, nem acredito

Que água mole também quebre pedra dura.



Gi Neves

RETALHOS

Um sorriso perdido no tempo

e o pensamento viajando solto,

Flutuando livre,

sonolento, lento…



Um horizonte embriagado,

uma lua, um convite,

Um lençol caído…eu, você…

um motivo de vida!



Depois nada!

Ou quem sabe a partida.

Um pedaço de sonho…

um retalho de vida!



Gi Neves

O PENSAMENTO

Livre e solto vou voando

nas asas da alucinação…

Sou o tudo,

sou o nada,

sou a imaginação!



Sigo o vento, venço o tempo

e, em apenas alguns segundos,

sem regras ou burocracias,

vou de um oceano a outro

como um passe de magia.



Entre a esquerda da razão

e a direita da fantasia,

hasteio minha bandeira,

que tem a cor da liberdade

num desenho de sereia.



Gi Neves

NAS NUVENS!

Caminho ao seu encontro…

É um caminhar solto, transparente,

Não sinto o vento, nem noto a gente

que caminha à minha frente.



Estou “nas nuvens”!



Ah, sorte…será verdade?

Queria que tempo parasse na hora que o encontrasse.

O coração vai brincando de pingue-pongue no peito…

Tão doce essa sensação…tão mágico esse momento!



Gi Neves

MORENO

Desafiando a amargura sob um olhar imperativo

Mascaras, inconsciente, tua angústia,

impondo-se um jeito altivo.



De pele cor de cobre, ombros largos, porte nobre,

Lembra-me as ondas do mar que caminham, ansiosas,

Em direção à praia, lutando contra as rochas.



E, no entanto, como num passe de magia,

Deixam-se morrer serenas sobre a areia,

Num beijo úmido e ávido de ternura.



Gi Neves

FAZ DE CONTA

Ah, essa saudade, sádica companheira,

magoando o coração com teu canto de sereia!



Ah, esse desejo, masoquista e traiçoeiro,

Hipnotizando a mente com teus olhos de serpente!



Retornos e partidas, encontros e despedidas,

Brincam de amar no “faz de conta” da vida!



Gi Neves

ESSE OLHAR

A música penetrava o sangue aquecido pelo campari-soda…

Em meio ao burburinho das vozes que se perdiam no vento,

nossos olhos se encontraram, num dálogo mudo,

nesse intervalo de tempo.



A noite girou em torno desse instante fugaz e mundano

e eu me queimei nas centelhas desse olhar verde-cigano.

Findo o assunto, conta encerrada,

passei por ti quase roçando em teu braço.



Nossos olhos mais uma vez se cruzaram

no calor de um abraço imaginário.

Dormi, sonhei e acordei pensando em ti!





Teus olhos continuam me seguindo aonde quer que eu olhe.

Meus olhos continuam te buscando aonde quer que estejas.



Gi Neves

ENQUANTO EU TE AMO

Enquanto eu te amo o mar se agita, as rosas se abrem

e o sol desperta para abraçar o dia…



Enquanto eu te amo as estrelas brilham, a lua toda cintila

e a noite exala um perfume doce e sensual…



Enquanto eu te amo a chuva molha a terra, a terra fertiliza

e as folhas respiram aliviadas…



Enquanto eu te amo as canções renascem, a música se expande pelo ar

e enquanto tudo isso acontece…eu te amo cada vez mais!



Gi Neves

ENIGMÁTICO LUAR

Enquanto o sol escondido, espia a lua desfilar

o seu vestido de prata na passarela do mar…



E as estrelas da noite acendem seus castiçais

contemplando, à luz de velas, o enigmático luar…



Nós dois sussurrando baixinho, com medo de atrapalhar

a festa que a madrugada gratuitamente nos dá



Derramamos nosso amor em meio a tanta beleza

que (até parece!) roubamos a graça da natureza.



Gi Neves

DEVANEIO

Ah…se se pudesse estar agora por este mundo afora,

sem máscaras, sem desgraças…



olhando um céu imune de fumaças,

de rosto livre, longe das vidraças!



Sem relógio, sem crença, sem pecado, sem ciência,

sem casa, sem cama, descalça na lama…



Longe do tempo, perto do vento!

Abrigando a liberdade em minh´alma de cigana.



Levando uma caravana e escrito em letras

de forma meu nome…GIANA.



Gi Neves

Como Afrodite

Esqueça a dor que feriu tão fundo

e salgou de lágrimas esses olhos profundos.



Não deite raízes nas terras da amargura,

fazendo da angústia teu mais novo vício.



Deixe que eu te faça um carinho açucarado

e te beije com gosto de doce roubado.



Deixe que eu te mostre o quanto a paixão encanta

e te ame como só Afrodite poderia tanto!



A vida só compensa quando o amor não é saudade

e dar e receber traduz a realidade.



Gi Neves

AUDACIOSO

Quando estamos assim abraçados,

mãos entrelaçadas, olhar sereno,

corpos relaxados…



Parece que o mundo anda sem pressa

e o tempo escoa calmo e se aquieta,

diante da ternura desse instante.



E esse amor que é feito de momentos breves,

que não espera nada e só o que pede é que,

tal como a pluma, seja suave e leve…



Tem o sabor do fruto proibido, a louca doçura

de beijos roubados, a sensação inquietante de aventura

e a sensual beleza do pecado!



Gi Neves

ACRE-DOCE

Doce delirio nesse amor suspenso

nos doces momentos, nas asas do tempo.



Doce delírio nesse amor segredo,

onde o coração serve de brinquedo.



Doce delírio nesse amor criança,

de portas trancadas para a esperança.



Doce delírio nesse amor que parte,

mas que deixa marcas feito tatuagem.



Gi Neves

A DANÇA

Gostoso dançar com você!

Fecho os olhos e me sinto flutuar no ar

envolta por teus braços…



Rosto roçando no rosto, a música deslizando

e de mansinho, entre uma troca e outra de carinho,

nossos corpos vão se colando mais e mais…



Uma onda de calor invade o peito, o olhar desmaia terno e lento

e o pensamento rola em lençóis de seda e em colchões macios…

E, enquanto isso, dançamos…nesse passo morno!



Gi Neves

A CHUVA

Chovia…

As gotas acumulando-se no chão formavam uma enxurrada

que passava ligeira, sem importar-se com o que levava.



Chovia em meu coração…

As lágrimas multiplicavam-se, e tal como a chuva,

desciam por meus olhos, indiferentes à dor que carregavam.



Sentia-me vazia …

Como se atravessasseum túnel sem fim…ou estivesse olhando a vida

através do tronco ôco de uma árvore.



Fui caminhando…

Juntei a chuva às minhas lágrimas, molhando o corpo , lavando a alma

e abandonando, aos poucos, a melancolia.



A paz foi retornando…

E lembrando-me de Khalil Gibram, deixei a tristeza dormindo

em minha cama e sentei-me à mesa com a alegria.



Gi Neves