Foi por orgulho que eu não gritei: - FICA!
Foi por orgulho que não deixei o tudo, que nada representa, e te segui confiante…
Foi por orgulho que achei mais fácil desistir…achei mais prático ficar…achei mais humano colocar minhas causas e minha vida dentro de meu próprio abraço…
E deixar seu avião partir!
Parecia estar deixando tudo envolto em lógica, em razão de ser.
Claro que, de posse de meus 30 anos, era impossível saber do envelhecer. Impossível prever a solidão das horas quando se está imbuído de tantas guerras para vencer, de tanta gente para cuidar, de tanta vida para doar…
Impossível imaginar esta sexta-feira fria e chuvosa onde, solitária, debaixo de um edredom, derramo a tinta da caneta nestas linhas de um papel confissionário.
Foi por orgulho que me presenteei com a solidão dos dias que escorregam por entre intermináveis horas, nos tantos relógios espalhados pela casa.
Parecem querer comprovar que o tempo não para.
Não…o tempo não para, não espera, não elucida. O tempo só segue sua trajetória interminável e em frente. E os restos que deixa para trás são os nossos cacos, que vamos catando e colando na esperança de reconstruí-los. Mas as cicatrizes são muitas e o que era inteiro se perde em veios que não se juntam mais.
É claro que o orgulho é tão dual quanto todo o resto do universo e tem seu lado positivo. Olho para trás e sinto orgulho de ter vencido sozinha o que deveria ter vencido acompanhada. São os lados de uma mesma moeda: cara e coroa. Mas somos viciados em olhar, por muito tempo, um mesmo ângulo, antes de nos voltarmos para percebermos o outro.
E assim caminha a humanidade e o vivenciar da dualidade do todo.
Não fomos ensinados a misturar esse todo de uma forma homogênea, a fim de criarmos um bolo fofo. Nosso bolo da felicidade sola…sempre sola.
E é por isso que tantas janelas permanecem acesas nesta madrugada cinza…
Que tantas canetas deitam linhas infindas sobre páginas confissionárias…
Tantos olhos derramam lágrimas sobre as mesmas folhas escritas…
Tantos corpos choram a solidão dos dias no decorrer das horas…
É com orgulho que deposito a esperança na aurora de cada dia, no laranja e no rosa de cada amanhecer e por mais que as lágrimas insistam, meus lábios abrem-se num sorriso ao quadro matinal, em gratidão eterna ao Grande Paisagista, nesta obra magnífica, que é a VIDA e que não tem culpa se não sabemos admirá-la o suficiente para imitá-la.
E assim, abro meus braços a cada novo dia e peço:
- PAI, não te esqueças de mim! Me pega no teu colo de paz! Me envolve nos teus braços de luz!
B I J A M !!!!!!!!!!!!!!!!!!
(Gi Neves)

