Aos loucos, que como eu, encontram motivos pra gostar de poesias!

Esta é minha colcha de retalhos...trechos de vida vividos, outras vezes imaginados, que vão sendo agregados aos poucos. Convido amigos e quem mais quiser, a bordar esses retalhos com suas idéias, pensamentos, poemas, críticas, etc.







Gi Neves



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A VIDA É COMO A QUEIMA DO INCENSO


“A VIDA É COMO A QUEIMA DO INCENSO”


Apanho o incensório para jogar as cinzas e, de repente, isso me leva a uma reflexão sobre nossa existência terrena.
Escolhemos o incenso, sentimos seu aroma, sua forma e o acendemos.

Alguns promovem um fogo alto, até que se tornem apenas brasa e promovam uma queima gradual e satisfatória.
- Assim também, alguns de nós tornamo-nos crianças ou adolescentes difíceis, damos muito trabalho aos demais, até adquirirmos uma maior consciência e nos tornarmos adultos mais equilibrados.

Outros incensos queimam rapidamente, gastando um bom pedaço em curto espaço de tempo, até esmorecer no estado de brasa.
- Quantas pessoas entregam-se aos vícios do álcool, das drogas, do jogo, ou aliam-se a grupos agressivos, desordeiros, destruindo grande parte de suas vidas até que algo, ou alguém, os liberte desses caminhos destrutivos e eles recomecem a viver com maior auto-estima.

Tem incensos que se apagam, inexplicavelmente, no meio do caminho. E ficamos procurando por um vento, ou outro motivo qualquer que possa ter propiciado o fato.
- Alguns de nós morremos em tenra idade e deixamos nossos pais, irmãos, filhos, namorados ou namoradas, esposas ou maridos e amigos, tentando entender o motivo, buscando explicações para esse abandono, como se ele não devesse, ou não pudesse, ter acontecido.

Mas alguns incensos se acendem facilmente e promovem uma queima harmônica, elevando graciosamente seus contornos de fumaça e depositando serenamente suas cinzas nos respectivos receptáculos.
- Nascem algumas pessoas que mais parecem anjos encarnados, despertam a empatia geral, derramam sabedoria em seu caminhar pela vida e quando partem, permanecem vivos nas memórias daqueles que puderam gozar de seus ensinamentos.

Seja como for que se processe a queima do incenso, ao final, só restarão as cinzas, que serão sopradas ao vento, ficando seu aroma impresso no ambiente por um tempo, até que o tempo se encarregue de extingui-lo completamente.
- E nós, sejamos orgulhosos ou meigos, prepotentes ou humildes, sábios ou ignorantes, agressivos ou carinhosos, alegres ou tristes, ao final, só seremos cinzas. E, por mais protegidas que estejam em urnas, ou enterradas, o vento, a água, o fogo e o ar se encarregarão de espalhá-las, até que nada mais reste, a não ser o que tenhamos nos preocupado em deixar, de bom ou de ruim, explícito nas memórias dos que aqui ficaram.


Gil Neves
19/09/2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

CONTRASTES


Contraste

Graciosa é a manhã que me desperta em teu abraço.
Teu hálito em meu rosto guarda o aroma
do amor derramado.

O desejo perfilando por entre as ramificações nervosas
Remete ao cérebro a lembrança da saciedade
Vivida por nossos corpos.

O ar desnuda a música criada pelo ritmo
Das palavras excitantes e amorosas
Sussurradas nos  ouvidos.

E este conto de vida que dispensa as fadas
Traz suas marcas impressas
em nossos sentidos.

O amor quer eternizar suas delícias  
Mas a morte sempre espreita
nas entrelinhas da vida.

A perda faz parte da nossa temporalidade...
Mas a lembrança é divina e pode
Reter em si a eternidade!


Gi Neves 



sexta-feira, 18 de março de 2011

QUISERA FOSSE AZUL!


QUISERA FOSSE AZUL

Quisera fosse azul o tempo, o amor, a alegria e a vida;
Os animais, as plantas, as águas e os ventos!

Quisera amássemos em azul
E nos azulássemos de prazeres!

Quisera crescêssemos no azul
E azulados fossem todos os sorrisos!

Quisera divagássemos em pensamentos azulados
E azuis fossem os desejos, os anseios, os sonhos,

Todas as nossas obras, as nossas criações,
As nossas expectativas e as nossas metas!

E vivêssemos num mundo azul até nos desintegrarmos
Num doce e eterno sono azulado!

Azul do equilíbrio, azul da calma,
Azul do infinito, azul da alma!

Gi Neves

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011


SEGREDOS

Segredos são sempre vermelhos,

Como os corações,

Como o fogo das paixões,

Como os olhos injetados por lágrimas,

Como as rosas ofertadas no amor.

 

Segredos são sempre vermelhos,

Como o sangue carregado de emoções,

Como os incêndios alastrados pelos ciúmes,

Como a dor explícita no abandono,

Como o desânimo  contido nas horas mortas.

 

Segredos são sempre vermelhos

Porque não têm o verde da esperança,

Tampouco o azul que justifica a calma,

Nem o  amarelo mágico da alegria

Ou ainda o branco pálido da paz.

 

Segredos são sempre vermelhos...

Vermelhos como a vergonha,

Como as labaredas do inferno do inconsciente,

Como o pecado que os tornou secretos...

Secretos até de nós mesmos!

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Secrets

Secrets are always red,
Because the hearts
As the fire of passion,
As his eyes bloodshot with tears,
As the roses offered in love.

Secrets are always red,
As the blood laden with emotions,
Because fires sprawled by jealousy,
As the pain in the explicit abandonment,
As the dismay contained in the dead.

Secrets are always red
Why not have the green of hope,
Nor that justified the blue calm,
Neither the yellow magic of joy
Or the pale white of peace.

Secrets are always red ...
Red like shame,
As the flames of hell of the unconscious,
As the sin that made them secret ...
Secret even from ourselves!


(Gi Neves)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ESPELHO MEU


ESPELHO MEU


Há um espaço perdido no esvaecer das horas...

Um choro contido no esmaecer do riso...

Uma segunda pele revestindo a pele que dá forma ao rosto.

 

Espelho, espelho meu,

Existe alguém em mim que me vê

Melhor que eu?

 

No espaço perdido encontra-se a criança...

No choro contido, a eterna carência...

Na ausência da pele, a essência do ser que precedeu a máscara.

 

Espelho, espelho meu,

Se este que me olha não sou eu,

Então, quem eu sou?

 

Uma criança,

Brincando de máscaras,

Numa piscina de lágrimas!

 

(Gi Neves)